segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Sua voz rouca

Sua voz rouca desliza como veludo sobre a pele da melodia,
um timbre único na orquestra dos sentidos,
envolvendo, provocando, sussurrando promessas em cada nota.

Soa como o olhar por trás da lente,
penetrante, valente, carregado de desejo,
um convite silencioso ao arrepio.

Soa como um morango maduro,
vermelho, suculento, seguro
pronto para ser provado,
explodindo na boca em um choque doce e ácido,
intenso tanto quanto o toque que arrepia.

Soa precedendo a imaginação do ouvinte,
inflamando os desejos mais secretos,
trazendo na sua base a força do querer
e a metáfora direta de quem se entrega - sem medo.

E, por fim, soa como a mulher que aprendeu sua doçura na dor,
que dança entre a entrega e o domínio,
e se permite ser envolvida pela sorte
enquanto desliza entre os lábios do destino.

domingo, 2 de junho de 2024

Relato noturno de 02/06/2024

A noite chega com a alegria presente
apenas em momentos passados;
conforme o tempo passa,
o silêncio toma seus postos,
como pontuais soldados exemplares
que se dispõem na labuta rotineira da desilusão
soltando versos no vazio universo
e perdendo a poesia da própria poesia.

O barulho dos carros, das músicas, das crianças brincando e dos latidos
estão no tempo remoto e desconhecido que povoam a história.

O tiquetaquear do relógio da cozinha acompanha
essa sensação de abandono,
transferindo, para o sono desperto, a responsabilidade
de ocupar a mente e direcionar os pensamentos,
se esforçando para não deixar a tristeza e a desilusão
se apossarem do manche deste barco emocional decadente em que me encontro.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Na vastidão do frio da tua companhia

Na ilusão da companhia abstrata do teu ser
vislumbro uma oportunidade de diálogos e prosopopeias
pois é o que tenho recebido há anos.
E, há anos, passo dias vazios, mesmo em meio a multidões
ou mesmo em companhias específicas vagas.

Como um galho que não floresce
um espelho que não reflete
uma chama que não aquece
ou um sonho que não realiza.

Como um passo não concluído
em meio a um caminho que só existe na mente do outro;
como um relance de tristeza que não é forte o bastante
para parir uma lágrima no frio escuro da solidão acompanhada.

Como um sorriso forçado,
no momento de descontração casual,
ou ignorado como um belo papel amassado
em meio aos losangos preto-e-brancos na calçada da vastidão

O fundo do sentimento que sugere a tristeza é amargo,
fétido,
impuro.
É desorganizado
e mesmo assim consegue enfurecer a mais perfeita sintonia de olhares;
tem poderes que,
se fossem usados na luz,
traria à tona o ímpeto desejo de amar
ao som das trombetas celestes que anunciam o próprio amor.

E quando a luz do teu olhar se voltar novamente para o que o iluminou,
renasceremos,
como duas pedras de gelo que se derretem
para iniciarem o riacho do que os deuses chamam de... amor recíproco.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Relato noturno de 20/04/2024

Há dias em que somos rudes,
muito mais com nós mesmos do que com os outros.
Em alguns micro-intervalos,
acompanhados de uma respiração sentida,
esperamos por um milagre que nunca chegará;
um milagre que alivia
esse sentimento perturbador
que se aposta das nossas vontades mais e menos virtuosas simultaneamente,
formando pequenos parágrafos em meio a tantos outros na nossa vida,
que acabam rebaixando a qualidade de todo o texto.

Há dias em que nos sentimos impotentes,
inertes em meio a um mar de oportunidades,
como um galho que, ainda verde,
não serve para alimentar a fogueira dos passos da vida
e passamos boa parte da música apenas imaginando-a ser cantada.

Há dias em que a gratidão toma forma, toma corpo
e se faz presente em cada respiração,
feito um ponto colorido que completa a pintura
e permite que o artista se expresse no mais alto teor da arte.
É nesses dias que nos permitimos, mesmo sem saber,
dar um passo importante na evolução interna e,
de dentro para fora,
mostramos ao mundo que precisávamos ser rudes e imperfeitos.
Ainda que machuquemos outras pessoas,
mesmo sem querer,
a dor maior ainda é sentida aqui dentro
porém, agora, em menor escala e intensidade.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

...

Não mereço mandar-te cartas
Em papel d’ouro folheado
Se tão preciosa já és
Clareando um tesouro apagado

Deitada tens corpo perfeito
Da imensidão de um enorme pecado
parado, tão leve e distante
Impossível de ser tocado

Perigosa em seu rosto hostil
Como o som de um instante aclamado
Ainda espero ouvir melodias
Dentre seus lábios avermelhados

Nem mereço mandar-te flores

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Amante sem rima

Nem as marcas do tempo farão com que esse amor termine
E nem a gotas do vinho secarão, nem hoje nem nunca
E nem o próprio tempo cessará tua beleza
Nem tua harmonia nem teu amor nem teu sexo

Milhas e milhas suadas percorridas ao teu encontro
E esse fogo cada vez mais quente
Cravando suas garras na pele e no desejo
De te olhar de perto e de longe e de todas as formas…

E se ao menos uma canção tocasse
E rompesse essa barreira da distância
Eu seria um amante sem moda nem rima
Mas que te abraçasse todos os dias dizendo palavras de amor

Saudades dos teus abraços….

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mulher mineira



Tua luz e teu brilho
Colorem imagens
Que um dia parado sonhei em viver

Completam meus versos
Com rimas e prosas
Tão belas, tão raras quanto o entardecer

Me atiro, me envolvo,
Retorno e contorno
Cada beijo doce que sonho em ganhar

Um passo no espaço
Entre um beijo e teu lábio
Um riso sincero vem me acomodar

Mineira… mulher mineira

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A viagem

Entre as montanhas há um pedaço de sol
De sorriso já tímido e avermelhado
Deixando saudades desaquecidas
de lado
Logo a lua banha o frio asfalto cinzento
De chão descontinuado
Rabiscos breves no chão e no céu
enluarados
Traz surpresas atraentes
Com ar de desconfiada
Deixa aflito o coração da moça
apaixonada
Que da janela em movimento
Avista o rosto tão esperado
Mil batidas no mesmo momento
embalado
Desmancha aos poucos e aos suspiros
O coração acelerado
Em chamas de galhos secos, enfim
enamorados

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sonho contigo

Mais uma página fria e branca
Aguarda perdidas palavras de amor
Doces e cultas frases formadas
De saudade e lembranças marcadas
Desta distância, aumentando mia dor

Esta dor também fria
Me acompanha por madrugadas
Um copo de whisky por companhia
E solidão em demasia
Em mim aconchegadas

Um poema triste, ou quase isso
É devorado noite afora
Como vítimas de um feitiço
Que não conseguem sair disso
Presos no eterno agora

Palavras e álcool misturados
No fim da noite, sem merecer,
Um copo vazio de um lado
N’outro este livro calado.
Enfim, consigo adormecer

Sonho contigo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sensações

Uma conversa à toa com paredes brancas,
Um gole de vazio engasgado na garganta,
A ausência da tua voz serena
E um grito de silêncio nessa mesa de tábua
Tomando o vago espaço do vinho
Que deslizava entre um beijo e outro
E carícias que se entrelaçavam
Lentamente…
Como uma gota de orvalho entre os galhos secos

Tomavam também a vez dos sorrisos
Os tímidos sorrisos que floriam aos poucos
E de pouco em pouco mais uma canção tocava
No ritmo do amor


Logo voltarão estas sensações!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

...

O capitulo VIII de um livro
Me acompanha em momentos puros
Busco sentir tua presença, distante
Apenas de corpo, mas espírito maduro.

Um banho de lembranças dóceis
E um sorriso tímido, um olhar de canto
Busco-te em momentos impróprios
Momentos lindos, senão santos.

...

Busco teu rosto, teu banho de luz
Teus olhos sinceros, teus cabelos, tua paz
Tua mão delicada de mulher que és
Mulher que em perfeita companhia se faz.

Um estalo de saudade e um gole de vinho
E o assento ao lado do sofá lacunado
À tua espera, ancioso, macio e sedoso
Na companhia singela do teu namorado

Eis um poema sincero
E ainda inacabado.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Teus fios de cabelo

Doce é o sereno que paira com a noite
e mais doce ainda é tua voz ao pé d’ouvido
Uma voz de veludo e tom afinado
e ritmo indefinido
Hora soa como sinos perambulantes
De sentimento alegres e juventude infinita
Hora, então, como ventos selvagens
Clamando meu nome em tonalidade aflita

… como se importasse(…)
É a voz mais bonita!

Belos são os campos esverdejantes
Com mato rasteiro e grama nascente
Como os lisos fios que os sinto
Longos, fascinantemente.
Uma cortina de luz que embeleza
Cada dia que agradeço em vê-los
Longos sonhos de incontável imensidão
Na imensidão dos teus fios de cabelo

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fagulha



Em cada metro de chão rodado
Rumo à tua formosa presença
Sinto um arrepio na alma flertado
Mas em sã consciência
Em cada um destes metros
É mais um que perto de ti fico
E sem receio e de peito aberto
Grito


E essa distância ao menos fosse
Uma fagulha menor do que é
Eu já seria teu sonhado homem
E tu mia respeitada mulher
E o colorido de tu’alma contente
Pela vida se espalharia
Como o rio que provem da nascente
E teu sorriso que vem da alegria

quarta-feira, 26 de abril de 2006

...

Atrás de uma lembrança se esconde
Um mistério secreto entre nós
Pairando em janelas abertas, onde
Nenhum som eterno se esconde
Apenas a frequência exata de tua voz.

Cantando alegrias d’um passado perfeito
Enquanto o inverno cegava o calor
Sorrindo ao meu lado falavas com jeito
D’um sentimento estranho, que tocava o peito
N’um suspiro abafado, reflexo do amor.

Ah! O amor, quão belo és (e precioso)
Perfuma a alma e adoça cada momento
De tom suave, profundo e perigoso
É o sentimento mais doloroso
Pela falsa impressão do tempo

Anos passados, dias esquecidos
Onde foram então parar?
Será que foram perdidos?
Agora é um tanto sofrido,
É magoa que me faz chorar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

E de repente a chuva

Que abre meus braços
Que sente meus sonhos
Esconde mia lágrima
Em qualquer canto medonho
Que usa meus olhos
Usa e abusa
Chorando acordado…

E de repente a chuva…

Que leva meu pranto
Sem caminho e sem volta
Vai além do horizonte
E num instante se solta
Que suga alegrias
Que leva meus beijos…
E de repente a chuva

Que cai com desejo

Que lava o amor
Deixando-o sem cor
Que rabisca a lua
Que ilude a dor
Sem nenhum limite…
E de repente a chuva
Cai dando palpite…

E de repente e chuva…
E de repente a lua…
E de repente a brisa
Povoando a rua
Que de repente enche
Mas não consigo ver
Pois de repente chorando…

Encontro você.

sábado, 26 de fevereiro de 2005

...

Que mãos geladas tendes esta noite
Permita-te me aquecê-las em brando silêncio
Durante as gotas que caem
Molhando minha janela esquecida,
Belas primaveras já as vi
Daqui, parado,
Parecias tu a primeira flor
Desabrochando num canto úmido
Tão feliz, tão veloz,
Que a aurora chegou,
E partiu.

Teu rosto pálido, renovado,
O vento o modificou
As estrelas caíram-te sobre o corpo
E agora iluminas a mim
O cosmo de teu olhar
Continua o mesmo
Porém com mais brilho
Com mais amor

A melodia de tuas palavras
Soa quente, profundo
Inúmeras borboletas querendo ouvi-las
Desesperadas, pasmas…
_Como és bela, oh, quanto me encanta
Vê-la cantar enquanto o silêncio descansa seu dom.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Meu verso imperfeito

Quisera fazer um verso perfeito
Do meu simples jeito
Suave e profundo,
Um verso em rima
Que te fizesse a menina
Mais feliz do mundo

Quisera um verso doce
Que dentre todos não fosse
Só mais um papel,
Um verso mui leve
Que fosse entregue
Caindo do céu

Quisera um verso amante
Que em qualquer instante
Se tornasse eterno,
Um verso amigo
Que mesmo antigo
Se fizesse moderno

Quisera um verso calvo
Que se tornasse o alvo
Desse amor quente,
Um verso chocante
Que mesmo distante
Estivesse presente

Quisera um verso de amores
De flores e dores
Da mesma paixão,
Um verso, então, rico
Do mais alto pico
Do meu coração

domingo, 29 de agosto de 2004

Amo-te, somente tu

A lua é cheia, nervosa, excitante
Tão morta em meu olhos,
Por que não te vejo, invés dela?
Acho que estás morrendo em teu ciúme

E de que adianta a lua cheia
Se meus versos, hoje, estão sem ritmo?
E pior que isso, imagino triste
É saber que estão sem rimas nenhuma

Por que te enciúmas, meu bem, por quê?
Se lhe tento provar o quanto a amo
Mas o que fazer nesta noite mórbida
Se já desligaste o telefone?

Espero que toque em meus sonhos, então!

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

Noites

Noites
Noites tortas
Noites escuras.
Noites de eterna solidão.
Banha-te o vinho cego
Pingando de minha espada.

Noites de tensa moldura
Traga-me teu espírito,
Quero teu cheiro,
Tua luz, tua beleza
Quero teu corpo suave
Tuas suaves brisas
Tuas suaves dores,
Deslumbrante seja-te
Entre teus amores.

Noites tortas
Noites escuras
Transforma-te no meu amor.

quinta-feira, 29 de julho de 2004

Como dizê-la

Como posso dizê-la
De como as estrelas são belas
Se elas tornam-se invisíveis
Após sorrirem amarelas?

E como dizê-la então
O quanto é linda a lua
Se ela torna-se perfeita
Em qualquer noite nua?

Como dizê-la de mim
Nesta noite sarcástica,
Se deitado em seu colo
Ela torna-se fantástica?
Como?


Malditas palavras que somem…

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Na imensidão dos teus olhos

Me perdi na imensidão dos teus olhos
Na sinfonia de tuas palavras adocicadas
Sou louco e meu mundo não está normal
Permita-me mostrar-lhe o universo
Visto com meus olhos vermelhos
Pela grade de ferro desta janela fechada

Me senti sozinho na imensidão dos teus olhos
Tão cheio de horas paradas nos pingos de água
Quero atravessar o oceano vazio
Para dar-te minha lágrima de honra.
Quem me dera ter os minutos de sabedoria
Para voar sobre casas de João-de-barro
E pousar em seu quintal cheio de folhas verdes caídas

Me senti oculto na imensidão dos teus olhos
Como tristes velas murchas chorando sua cera morta
Meu reflexo era falso no espelho quebrado
E minhas palavras eram sons que, de repente, sumiam
Sonhei com números e versos exatos
Mas não vi suas pálpebras sorrirem
Porque seus olhos as deixaram fechadas

Me calei em frente a imensidão dos teus olhos
O vazio de meus medos ficou aflito
Dominou os sentidos do nosso pequeno mundo
E retornou para que não fosse visto,
Um ruído cortou o instante
E o silêncio que me atingia foi apagado
O vento bailava em seu limite de espaço
E tudo ficou, instantaneamente, do mesmo jeito

terça-feira, 11 de maio de 2004

...

Te imagino nua como uma Deusa
Flutuando sobre meus pecados
Com poderes para trazer meu amor
Aprisionada em sua carne humana
Te imagino livre como um sonho
Gigantesca em seu tamanho minúsculo
Buscando estrelas onde não há mais mundo
Abrindo os olhos aos pouco, sem ver nada

Te imagino tensa como os trovões
Chovendo lágrimas de alegria
Superando tudo com suas curvas perfeitas
Dando vida à quem ainda te ama
Te imagino perfeita como a lua
Sorrindo em noites infinitas
Presa em seu íntimo ser
E realizada pode ser quem és

Te imagino metade de tudo
Como a metade que falta em mim
Afogada num mar de beijos
Morta de amor, esperando-me

quarta-feira, 17 de março de 2004

Pra não dizer que esqueci de você

Vou te ligar sem saber a que horas
E te chamar de meu bem querer
Mesmo de longe ouvirá minhas palavras
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou procurar meu velho alto-falante
Gritar bem alto pra te convencer
Que as estrelas são tão belas lá em cima
E mesmo assim não me esqueci de você

Vou te fazer sorrir e pular
Cantar, andar, ouvir, voar e correr
Pedirei tua mão em namoro
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou enviar uma carta secreta
Por entre as nuvens com um lindo bouquet
Pelo mais rápido dos pombos-correios
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou ligar sem saber a que horas
Gritar bem alto pra te convencer
Pedirei tua mão em namoro
Pra não dizer que me esqueci de você

terça-feira, 21 de outubro de 2003

O último segundo

O último segundo é bárbaro
Como horas da madrugada
É calado, é completo, é perfeito
Nem o penúltimo, nem o antepenúltimo,
O último segundo é amado
Por todos e por mim
Ele gira e gira e não cança
E promete voltar, promete vingança
O último segundo como as almas
Voa para chegar a tempo
Ele flutua e desperta quando menos esperamos
E quando mais queremos ele não vem
Quem sabe é rebelde, quem sabe é raivoso
Quem sabe?
Ele agride os ouvidos e os olhos de quem o vê
Mas é calmo e lento, pois é o último
Coitado? Não!
Sempre haverá o segundo primeiro e o último segundo
O último tic…
O último tac…

sábado, 16 de agosto de 2003

Perfeição do pecado

Eis aqui
Em que teu sangue corre em tua veia
Como o pecado e o vinho
Em alturas profundas
E queimando delicadamente neste sóbrio tempo

Eis que coloca sobre os ares
A verdade pura
Desde os doces beijos
Ao clamor ardente

Eis que sabes quando rir
Ou derramar o pranto em cada rosa
Ou lhe cantar angústias à sonhar em paz
Ou estar somente no lugar certo
Quando o mapa está perdido
Ou os planos imperfeitos
Nesta extrema escuridão

Eis que o amor invade o peito
Rasgando qualquer defeito
Em sua fúria eterna
E, sem sentido, controla a vida
Com simples traços
Tão fortes e diretos
Quando os raios da tempestade

Eis teu corpo
De beleza eterna
E de suaves templos
Da perfeição

Eis aqui
Em que aqui estão

segunda-feira, 21 de julho de 2003

Aquele beijo

Pensaste naquele beijo
Prometido
Ao menos cumprido
Indelicado
Agora calado
Por não ter ganhado
Um beijo pensado.
incompreendido.

terça-feira, 3 de junho de 2003

Lágrimas

Lagrimas são atos ocultos, trazidos dos olhos
E cada pingo se transforma em escuridão
Destas frias, que cabulam e amedrontam
E se acabam na manga da camisa
Após os atos secos e frios d’outro alguém

quinta-feira, 15 de maio de 2003

Bravo amor

Sinto sem saber
O instante da magia
E o orgulho da alegria
Sem querer

Observo atentamente
A brancura da paixão
Nos cantos do coração
Levemente

Beijo a tua boca
Com razão de liberdade
E penso, na verdade:
Vido louca

Invento a melodia
Do conto que me conte
Seja em plena noite
Ou dia

Banho o oceano
Como cores num coreiro
E declaro ao mundo inteiro
Que te amo

sábado, 3 de maio de 2003

Limite do sonho

Em cada som ouço teu nome
Nas canções suaves, tão lentas
Cheias de amor em cada rima
E tão completas de saudade.

_ O que pensas tu,
se tão distante me tens,
se tão distante estamos,
e só tenho-te em pensamento?

Cada instante é temido
Sem teus braços e teus beijos,
E até teus olhos refletindo
Cada chama desse amor
E cada sonho desejado.

Sou só silêncio
Calando a madrugada
Em cada verso morto
Lacrimejado de palpite.
E por que temer distância,
se para o amor não há limite?

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003

Ainda chamo teu nome

Ainda chamo teu nome
Mesmo mudo, inquieto
Até declino sobre o vento
E me deixo levar

Meus olhos ficam
E meus lábios também
Eu falo e falo e não paro
Até que você me escute
Em cada ponto deste cinzento céu
E em cada pranto que meus olhos chorarem
Por mil e uma promessas
Já acho que te amo
E por não ter motivo
Talvez seja por essa razão que…

Ainda chamo teu nome

quinta-feira, 1 de janeiro de 1970

...

Teu nome completo
Se forma com flores
Num fim de tarde
De um verão profundo,
Um beijo adoçado
Com cores tão vivas
Fizeram o sentido
De toda minha vida.

Ah se o mundo soubesse
O quanto te amo…

Lado triste

Sempre aguentando essa inquietude inevitável
Interminável pelo Atlântico ou Amazonas
Tanta diferença, sal açúcar, amor e beijo,
Sempre diferentes, meus pensamentos
Andam, correm voam, porém presos a essa liberdade limitável,
Os seus, tão seus, quem saberá onde estão?
Passos na areia, praia, deserto
Simplesmente um quadro nessa parede azul
Sempre torto nessa interminável inquietude concreta

Ouvindo som de flauta, sax, trombone,
Todos num som incontável, triste como minha cara ao teu lado

Queria ver teu sorriso todos os dias, mas
Nada mais é engraçado

Destilação

Deste lado destiladas são as dores
Cruas quase quentes como a cor dos cabelos
Ondulados onde estejas ocultando outras cores
Belos e bordados bagunçando entre os dedos

Daquele lado tão ousado, brilhando e borbulhando
Mostrando à minha mente que meus sonhos nem são meus
Sinto que me assusto bruscamente ou me espanto
Dê-me então um Deus que em sonhos são só seus

...

Ainda que amar seja pecado
Ainda que chorar seja um crime
Pelas noites nubladas ‘inda vago
Esperando que alguém me anime

Ainda que os amantes sejam tolos
Por terem seus olhos vedados
Ainda esperam encontrar consolos
Onde nunca foi procurado

Ainda que faço da vida um jogo
Onde o sinistro mistério do amor
Aos poucos se revele

Ainda vejo chama em fogo
Esperando ser consolado
Por teus lábios, Emanuelle

Ausência

Sem você eu não viveria
A lua não teria mais cor
Não seria do pranto a dor
Nada é. E nada seria.

O amanhecer não seria tão belo
E de seus olhos nada teria
Nem lembrança, nem fantasia.
Nem o astro-rei seria amarelo

As cascatas de minha poesia,
Suas letras, suas rimas
Não seriam nem meninas
Sem você eu não viveria.

Banco de ódio

Fico sentado num banco de pedras
Vendo carros parados, vendo o tempo passar
À beira de um colapso mecânico
Fico cheirando as escorridas lagrimas
Sentindo o sabor amargo da animalidade humana
Fico relendo poemas antigos, poemas de amor
Rabiscos sinceros desta e de outras vidas, alheias
Rabiscos…

Perco meu tempo vendo carros, vendo placas
Vendo heróis e assassinos ocultos
Vendo a juventude crescer errada, crescer aflita
Tão precoce e sem sentido.
Vendo a política mudar minha vida, nossos costumes, nossos conflitos, nossa forma de ser.
Vendo bobagens escritas em livros
Receitas, mapas, cavernas e futurismo
Cavernas futuras num play e pause continuo


Fico sentado num banco de ódio
Estou triste, sentido, com frio
_Onde está o calor familiar,
Banido de nossa casa num estalo de dedos?
Há uma crosta atmosférica de ódio ao próximo
Um elo de tédio, de rancor,
Num banco de sentimentos fúteis.

Caminho triste

Surge o vento com um som esbelto
Roça minha garganta um suspiro selvagem
Enquanto a noite passa cortando o silêncio.
Traço alguns desejos que reluzem teus olhos
E então… outro suspiro.

Lenta respiração direcionando a pulsação de um coração triste
Perdido, louco, sereno
Totalmente sem sentido meus passos voltam ao tempo
Sem razão, sem sentido, sem nada.

Surgem todos os galhos que se debruçam no chão
Pelas noites desertas e escuras
D’onde vago também sem direção
Trovoes rasgam e ofuscam a visão
Cegam seus próprios olhos, pois não têm amor
As flores rastejam pelo chão dos jardins
Cheias de dores
Por serem apenas flores

Ilusão insana

Me sinto só, porém amado
Nessa distância que temos que merecer
Como se as flores renascessem a cada noite
E o orvalho fizesse o pranto umedecer

Me sinto só, porém eterno
Em cada instante que pensaste em como estou
E se as estrelas reluzissem em minha alma
Cada beijo que meu beijo comportou

A vida é louca entre mistério e ilusão
Louca de tudo. Vida tão só…

Os teus poemas

São muito mais do que profundos os teus poemas
São imagens na água, nas ruínas
São benditos. São perfeitos.
São feitos por mãos divinas
São cósmicos, são rarefeitos.

São palavras que mordem, que têm efeito
é a falta de palavras nas próprias frases
é o que dizes ou o que fazes
é o olhar quase desfeito