sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Meu verso imperfeito

Quisera fazer um verso perfeito
Do meu simples jeito
Suave e profundo,
Um verso em rima
Que te fizesse a menina
Mais feliz do mundo

Quisera um verso doce
Que dentre todos não fosse
Só mais um papel,
Um verso mui leve
Que fosse entregue
Caindo do céu

Quisera um verso amante
Que em qualquer instante
Se tornasse eterno,
Um verso amigo
Que mesmo antigo
Se fizesse moderno

Quisera um verso calvo
Que se tornasse o alvo
Desse amor quente,
Um verso chocante
Que mesmo distante
Estivesse presente

Quisera um verso de amores
De flores e dores
Da mesma paixão,
Um verso, então, rico
Do mais alto pico
Do meu coração

domingo, 29 de agosto de 2004

Amo-te, somente tu

A lua é cheia, nervosa, excitante
Tão morta em meu olhos,
Por que não te vejo, invés dela?
Acho que estás morrendo em teu ciúme

E de que adianta a lua cheia
Se meus versos, hoje, estão sem ritmo?
E pior que isso, imagino triste
É saber que estão sem rimas nenhuma

Por que te enciúmas, meu bem, por quê?
Se lhe tento provar o quanto a amo
Mas o que fazer nesta noite mórbida
Se já desligaste o telefone?

Espero que toque em meus sonhos, então!

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

Noites

Noites
Noites tortas
Noites escuras.
Noites de eterna solidão.
Banha-te o vinho cego
Pingando de minha espada.

Noites de tensa moldura
Traga-me teu espírito,
Quero teu cheiro,
Tua luz, tua beleza
Quero teu corpo suave
Tuas suaves brisas
Tuas suaves dores,
Deslumbrante seja-te
Entre teus amores.

Noites tortas
Noites escuras
Transforma-te no meu amor.

quinta-feira, 29 de julho de 2004

Como dizê-la

Como posso dizê-la
De como as estrelas são belas
Se elas tornam-se invisíveis
Após sorrirem amarelas?

E como dizê-la então
O quanto é linda a lua
Se ela torna-se perfeita
Em qualquer noite nua?

Como dizê-la de mim
Nesta noite sarcástica,
Se deitado em seu colo
Ela torna-se fantástica?
Como?


Malditas palavras que somem…

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Na imensidão dos teus olhos

Me perdi na imensidão dos teus olhos
Na sinfonia de tuas palavras adocicadas
Sou louco e meu mundo não está normal
Permita-me mostrar-lhe o universo
Visto com meus olhos vermelhos
Pela grade de ferro desta janela fechada

Me senti sozinho na imensidão dos teus olhos
Tão cheio de horas paradas nos pingos de água
Quero atravessar o oceano vazio
Para dar-te minha lágrima de honra.
Quem me dera ter os minutos de sabedoria
Para voar sobre casas de João-de-barro
E pousar em seu quintal cheio de folhas verdes caídas

Me senti oculto na imensidão dos teus olhos
Como tristes velas murchas chorando sua cera morta
Meu reflexo era falso no espelho quebrado
E minhas palavras eram sons que, de repente, sumiam
Sonhei com números e versos exatos
Mas não vi suas pálpebras sorrirem
Porque seus olhos as deixaram fechadas

Me calei em frente a imensidão dos teus olhos
O vazio de meus medos ficou aflito
Dominou os sentidos do nosso pequeno mundo
E retornou para que não fosse visto,
Um ruído cortou o instante
E o silêncio que me atingia foi apagado
O vento bailava em seu limite de espaço
E tudo ficou, instantaneamente, do mesmo jeito

terça-feira, 11 de maio de 2004

...

Te imagino nua como uma Deusa
Flutuando sobre meus pecados
Com poderes para trazer meu amor
Aprisionada em sua carne humana
Te imagino livre como um sonho
Gigantesca em seu tamanho minúsculo
Buscando estrelas onde não há mais mundo
Abrindo os olhos aos pouco, sem ver nada

Te imagino tensa como os trovões
Chovendo lágrimas de alegria
Superando tudo com suas curvas perfeitas
Dando vida à quem ainda te ama
Te imagino perfeita como a lua
Sorrindo em noites infinitas
Presa em seu íntimo ser
E realizada pode ser quem és

Te imagino metade de tudo
Como a metade que falta em mim
Afogada num mar de beijos
Morta de amor, esperando-me

quarta-feira, 17 de março de 2004

Pra não dizer que esqueci de você

Vou te ligar sem saber a que horas
E te chamar de meu bem querer
Mesmo de longe ouvirá minhas palavras
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou procurar meu velho alto-falante
Gritar bem alto pra te convencer
Que as estrelas são tão belas lá em cima
E mesmo assim não me esqueci de você

Vou te fazer sorrir e pular
Cantar, andar, ouvir, voar e correr
Pedirei tua mão em namoro
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou enviar uma carta secreta
Por entre as nuvens com um lindo bouquet
Pelo mais rápido dos pombos-correios
Pra não dizer que me esqueci de você

Vou ligar sem saber a que horas
Gritar bem alto pra te convencer
Pedirei tua mão em namoro
Pra não dizer que me esqueci de você