terça-feira, 21 de outubro de 2003

O último segundo

O último segundo é bárbaro
Como horas da madrugada
É calado, é completo, é perfeito
Nem o penúltimo, nem o antepenúltimo,
O último segundo é amado
Por todos e por mim
Ele gira e gira e não cança
E promete voltar, promete vingança
O último segundo como as almas
Voa para chegar a tempo
Ele flutua e desperta quando menos esperamos
E quando mais queremos ele não vem
Quem sabe é rebelde, quem sabe é raivoso
Quem sabe?
Ele agride os ouvidos e os olhos de quem o vê
Mas é calmo e lento, pois é o último
Coitado? Não!
Sempre haverá o segundo primeiro e o último segundo
O último tic…
O último tac…

sábado, 16 de agosto de 2003

Perfeição do pecado

Eis aqui
Em que teu sangue corre em tua veia
Como o pecado e o vinho
Em alturas profundas
E queimando delicadamente neste sóbrio tempo

Eis que coloca sobre os ares
A verdade pura
Desde os doces beijos
Ao clamor ardente

Eis que sabes quando rir
Ou derramar o pranto em cada rosa
Ou lhe cantar angústias à sonhar em paz
Ou estar somente no lugar certo
Quando o mapa está perdido
Ou os planos imperfeitos
Nesta extrema escuridão

Eis que o amor invade o peito
Rasgando qualquer defeito
Em sua fúria eterna
E, sem sentido, controla a vida
Com simples traços
Tão fortes e diretos
Quando os raios da tempestade

Eis teu corpo
De beleza eterna
E de suaves templos
Da perfeição

Eis aqui
Em que aqui estão

segunda-feira, 21 de julho de 2003

Aquele beijo

Pensaste naquele beijo
Prometido
Ao menos cumprido
Indelicado
Agora calado
Por não ter ganhado
Um beijo pensado.
incompreendido.

terça-feira, 3 de junho de 2003

Lágrimas

Lagrimas são atos ocultos, trazidos dos olhos
E cada pingo se transforma em escuridão
Destas frias, que cabulam e amedrontam
E se acabam na manga da camisa
Após os atos secos e frios d’outro alguém

quinta-feira, 15 de maio de 2003

Bravo amor

Sinto sem saber
O instante da magia
E o orgulho da alegria
Sem querer

Observo atentamente
A brancura da paixão
Nos cantos do coração
Levemente

Beijo a tua boca
Com razão de liberdade
E penso, na verdade:
Vido louca

Invento a melodia
Do conto que me conte
Seja em plena noite
Ou dia

Banho o oceano
Como cores num coreiro
E declaro ao mundo inteiro
Que te amo

sábado, 3 de maio de 2003

Limite do sonho

Em cada som ouço teu nome
Nas canções suaves, tão lentas
Cheias de amor em cada rima
E tão completas de saudade.

_ O que pensas tu,
se tão distante me tens,
se tão distante estamos,
e só tenho-te em pensamento?

Cada instante é temido
Sem teus braços e teus beijos,
E até teus olhos refletindo
Cada chama desse amor
E cada sonho desejado.

Sou só silêncio
Calando a madrugada
Em cada verso morto
Lacrimejado de palpite.
E por que temer distância,
se para o amor não há limite?

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003

Ainda chamo teu nome

Ainda chamo teu nome
Mesmo mudo, inquieto
Até declino sobre o vento
E me deixo levar

Meus olhos ficam
E meus lábios também
Eu falo e falo e não paro
Até que você me escute
Em cada ponto deste cinzento céu
E em cada pranto que meus olhos chorarem
Por mil e uma promessas
Já acho que te amo
E por não ter motivo
Talvez seja por essa razão que…

Ainda chamo teu nome