quarta-feira, 23 de junho de 2004

Na imensidão dos teus olhos

Me perdi na imensidão dos teus olhos
Na sinfonia de tuas palavras adocicadas
Sou louco e meu mundo não está normal
Permita-me mostrar-lhe o universo
Visto com meus olhos vermelhos
Pela grade de ferro desta janela fechada

Me senti sozinho na imensidão dos teus olhos
Tão cheio de horas paradas nos pingos de água
Quero atravessar o oceano vazio
Para dar-te minha lágrima de honra.
Quem me dera ter os minutos de sabedoria
Para voar sobre casas de João-de-barro
E pousar em seu quintal cheio de folhas verdes caídas

Me senti oculto na imensidão dos teus olhos
Como tristes velas murchas chorando sua cera morta
Meu reflexo era falso no espelho quebrado
E minhas palavras eram sons que, de repente, sumiam
Sonhei com números e versos exatos
Mas não vi suas pálpebras sorrirem
Porque seus olhos as deixaram fechadas

Me calei em frente a imensidão dos teus olhos
O vazio de meus medos ficou aflito
Dominou os sentidos do nosso pequeno mundo
E retornou para que não fosse visto,
Um ruído cortou o instante
E o silêncio que me atingia foi apagado
O vento bailava em seu limite de espaço
E tudo ficou, instantaneamente, do mesmo jeito

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