sexta-feira, 19 de abril de 2024

Relato noturno de 20/04/2024

Há dias em que somos rudes,
muito mais com nós mesmos do que com os outros.
Em alguns micro-intervalos,
acompanhados de uma respiração sentida,
esperamos por um milagre que nunca chegará;
um milagre que alivia
esse sentimento perturbador
que se aposta das nossas vontades mais e menos virtuosas simultaneamente,
formando pequenos parágrafos em meio a tantos outros na nossa vida,
que acabam rebaixando a qualidade de todo o texto.

Há dias em que nos sentimos impotentes,
inertes em meio a um mar de oportunidades,
como um galho que, ainda verde,
não serve para alimentar a fogueira dos passos da vida
e passamos boa parte da música apenas imaginando-a ser cantada.

Há dias em que a gratidão toma forma, toma corpo
e se faz presente em cada respiração,
feito um ponto colorido que completa a pintura
e permite que o artista se expresse no mais alto teor da arte.
É nesses dias que nos permitimos, mesmo sem saber,
dar um passo importante na evolução interna e,
de dentro para fora,
mostramos ao mundo que precisávamos ser rudes e imperfeitos.
Ainda que machuquemos outras pessoas,
mesmo sem querer,
a dor maior ainda é sentida aqui dentro
porém, agora, em menor escala e intensidade.

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